sexta-feira, 20 de junho de 2008

Em defesa do subemprego

Mais um artigo espalhando desinformação econômica. Desta feita é uma blogueira do Estadão, que normalmente não é tão primário: uma Andrea VIALLI (ninguém no Brasil se toca que Andrea não é nome feminino, mas o italiano para André?).

E a bobagem, muito naturalmente, é a velha toada esquerdista-submarxista-antiglobalização sobre más condições de trabalho. Reproduzo meu próprio comentário no blogue da mocinha, com um acréscimo aqui porque o blogue do Estadão não permite edições; adição em itálico:

Se há crianças trabalhando, é porque suas famílias não têm como alimentá-las.

Se crianças assim param de trabalhar, vão parar na prostituição ou na fome.

A solução não é pagar mais caro nas roupas. É ser mais frugal, para que o exemplo constranja ricaços e corruptos, e a renda seja distribuída; e trabalhar mais e, principalmente, mais inteligentemente, para que a renda seja maior.

Agora me veio outra questão. O blogue da moçoila teoricamente é sobre sustentabilidade. O que condições de trabalho têm a ver com isso? O velho problema dos despreparados de separar problemas que parecem insolúveis, o que acaba atrapalhando a escolha de políticas públicas capazes de ajudar a solucionar quaisquer deles.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Livros à Venda

Tenho mais alguns livros à venda na Eſtante Virtual.

Desta vez, é The General Theory of Employment, Interest and Money, de John Maynard Keynes, em capa dura, por R$44.

Quero limpar um pouco a casa, e tenho alguns livros du~ e até triplicados.

sábado, 24 de maio de 2008

Yahoo! e PostgreSQL escalável

Esta é de se fazer pensar. Apesar da esperança que japoneses estejam fazendo algo sobre escalabilidade horizontal com o PostgreSQL, quem chega lá primeiro? O Yahoo!. O Yahoo! não publicou código, mas o simples fato de ter divulgado já ajuda outras iniciativas, e dá a esperança de que o código seja publicado.

Mesmo que o PostgreSQL estivesse sob esquerdo de cópia, essa situação de ter algo tão perto, tão longe, seria inevitável: nem o Yahoo! publica sua versão de PostgreSQL, nem o Google publica seu BigTables. A GNU GPL não obriga publicar código de uso interno, e nem pode: restringir uso interno, que não implique em redistribuição, seria transformar um programa de livre em proprietário.

Mas o mais interessante aqui não é o aspecto de licenciamento, é a perspectiva de bases de dados livres muito mais escaláveis que as atuais. O custo aparentemente é baixo, com menos de mil servidores para 2 PB. Um funcionário da Microsoft diz que é um sistema semelhante ao IBM DB2 Database Partitioning Feature, no qual trabalhou ainda sob o nome de Parallel Edition, antes de ir para o lado negro da Força, mas o fato de haver uma patente na jogada sugere que pode ser que a Yahoo! tenha de fato comprado uma jóia — este é um desenvolvimento duma tecnologia comprada com uma empresa chamada Mahat Technologies, da qual não há traços na Teia fora os relacionados a este anúncio, ao menos segundo o Google; e o que o Google não sabe, não existe!

Já há rumores de que a Yahoo! vai colaborar com a comunidade PostgreSQL, o que é reforçado por seu patrocínio à Conferência Mundial de PostgreSQL. A Hitachi e a EnterpriseDB também têm idéias semelhantes, então mesmo que a Yahoo! esteja com a melhor tecnologia e sua patente não permita que ninguém mais faça algo tão bom, ainda assim certamente deve haver grandes melhorias nessa área. O GridSQL já é um projeto livre, e dizem que a Hitachi vai liberar código também, veremos. A NTT Data, outra empresa japonesa, já está devendo o sistema de envio de registros; talvez as coisas no Japão venham devagar, enquanto eles limpam todo o código de quaisquer problemas que os pudessem envergonhar…

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ingres Relacional

Mais uma notícia interessante de tentativas de implementar plenamente o modelo relacional em sistemas de produção. Hugh Darwen nos diz que

O Projeto D do Ingres busca adicionar ao servidor de bases de dados Ingres suporte à linguagem Tutorial D. […]

O Projeto D possibilitará desenvolvimento de bases de dados usando um ambiente de desenvolvimento completamente conforme à especificação D, consistindo do servidor de bases de dados Ingres e um superconjunto da linguagem Tutorial D, incluindo ferramentas de suporte. […] Vai fornecer um SGBD robusto que, no final das contas, implementará tudo do Terceiro Manifesto, dados temporais e do Modelo Relacional

  • Imposição de restrições complexas de integridade de dados afetando muito pouco o desempenho da maior parte das restrições.
  • Variáveis de relação virtuais, visões materializadas.
  • Otimização semântica de expressões relacionais.
  • Atribuição múltipla simultânea eficiente.
  • Otimização de bases de dados temporais.
  • Especialização por restrição.
  • Atualizações irrestritas a variáveis de relação virtuais, quando possível.
  • Estruturas físicas de armazenamento auto-organizadas (SGBD autônomo).

Como vêem, são objetivos ambiciosos, e que certamente demorarão para amadurecer. Atualmente, o Alphora Dataphor é uma aposta muito mais segura, embora ainda careça de portes para plataformas livres, especificamente Mono e PostgreSQL. Entretanto, o Dataphor ainda é um sistema virtual, enquanto o Projeto D do Ingres, se for bem-sucedido, será um sistema integrado e já nascerá portável, aparentemente.

Resta ver se conseguirão evitar duas decisões que a Alphora viu-se constrangida a tomar: adotar os NULLs do SQL e abandonar a especialização por restrição. E, principalmente, quando chegarão os primeiros frutos.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

‘O Segredo’ ſem ſegredo

Duma reportagem por Pablo Nogueira, na Galileu de julho de 2.007 AD, da Editora Globo:

O aspecto material das ambições dos adeptos não é o fator mais curioso no sucesso de "O Segredo", mas sim o fato de a obra não oferecer nada de realmente secreto. Ou mesmo de novo. "É o tradicional discurso sobre as virtudes do otimismo e do pensamento positivo e da auto-estima tantas vezes repisado", diz a antropóloga Carla Martelli, professora da Unesp e estudiosa da literatura de auto-ajuda. Segundo ela, essas idéias já eram veiculadas nos primeiros tempos do movimento, por volta do final do século XIX e começo do XX.

Dar roupagem contemporânea a coisas antigas é mais uma das grandes sacadas de Rhonda e colaboradores. Esse é o ponto em que a ciência assume o posto outrora ocupado pela religião. Em vez de fazer o leitor abrir o baú da fé, a autora opta pelo conhecimento, ou pelo menos um verniz que banhe as chaves para o sucesso e a felicidade com argumentos menos esotéricos.

Para tanto, a autora começa "O Segredo" afirmando que o Universo é regido por leis. Entre elas uma que ela chama de lei da atração, que estipula que cada um de nós atraia para sua vida aquilo que tem na mente. "Tudo o que entra na sua vida é você quem atrai, por meio das imagens mentais", escreve no livro o palestrante norte-americano Bob Proctor, um dos mais destacados participantes do projeto. Byrne aprofunda a idéia: "Cada um contém uma força magnética dentro de si mais poderosa do que qualquer coisa neste mundo emitida por seus pensamentos". Para ambos, nem é preciso acreditar na lei para que ela entre em ação. "A lei da atração é uma lei da natureza e tão imparcial e impessoal quanto a lei da gravidade. É precisa, exata", afirma Byrne.

O filósofo Osvaldo Pessoa Júnior, professor da USP e especialista em interpretações filosóficas da física quântica, diz que a lei da atração é um exemplo do que em filosofia se chama de naturalismo animista. Essa visão filosófica existe desde muito antes da ciência moderna. Na Antiguidade, era defendida na Grécia por pensadores como Pitágoras e os filósofos estóicos. É uma corrente que compara o Universo a um organismo vivo e dota a natureza com uma espécie de "alma". Nela estariam as explicações para muitos fenômenos. Por exemplo, os seres e objetos dotados de almas semelhantes atrairiam uns aos outros. Daí a crença grega de que "semelhante atrai semelhante".

terça-feira, 20 de maio de 2008

Leonardo César e os softicidas

Conversa esses dias com o Leonardo César:

Eu: O que é isso?
LC: Isso o quê?
Softcida…
cida = assassinos (?)
E quem são os tais? Maus programadores, gestores, o quê?
Sim, estes mesmos…
Estes últimos, os gestores… certo!
Veja bem, estamos desenvolvendo uma arquitetura bem complexa e distribuída através de webservices (SOAP). Isso envolve alguns bancos e seguradoras e estes normalmente estão utilizando Java ou .Net. O problema é que as ferramentas geram os clientes automaticamente, baseado no WSDL.
Uau! Mas e aí?
E estas ferramentas não são compatíveis com a especificação padrão WSDL e os "programadores" não fazem a mínima questão de ler a especificação e ver que a ferramenta deles não gera o cliente porque fogem do padrão… e daí eu que preciso adequar o WSDL às ferramentas de todos os clientes… por isso odeio softcidas…

Isso me fez lembrar adivinhem o quê? Hybernate!

Pode parecer à primeira vista não ter nada a ver. Mas tem: alguém faz ferramentas de qualquer jeito, sem levar em conta os conceitos e padrões fundamentais, tornando-se um softcida, que vai gerar muito mais problemas do que aparentemente resolve.

Usar Hybernate é cometer softcídio, porque os resultados são terríveis assim que se precisa escalar, e geralmente muito antes, por causa da inconsistência de dados. Evite Hybernate, previna o softcídio. Aprenda dados e SQL.

domingo, 13 de abril de 2008

Entrevista concedida ao Fernando Ike

O que é um Arquiteto de Dados?
A pessoa responsável pela arquitetura e administração dos dados de uma organização. No caso, a arquitetura envolve desde a arquitetura de sistemas de bases de dados até a modelagem dos dados e sua manutenção; e a administração seria mais especificamente a manutenção dos modelos e dicionários de dados.
Qual a interação de um Arquiteto de Dados e um DBA? Ou é a mesma coisa?
Muitas vezes, em organizações menores ou menos estruturadas, a administração de dados é efetuada pelo Administrador de Bases de Dados. Mas normalmente, o DBA deve se ocupar da administração diária dos bancos de dados físicos e seu conteúdo, efetivamente uma administração dos Sistemas Gestores de Bases de Dados. Enquanto o AD deve se ocupar do projeto das bases de dados e sua estrutura lógica, não se envolvendo diretamente nos aspectos físicos.
Ok. corrigindo, Administrador de Base de Dados.
Tanto faz. Databank era o uso até os anos 70, que ficou fixado no Brasil. No resto do mundo se usa base.
Com essa afirmação, é possível supor que o AD seria o chefe de DBA (vou manter a sigla por enquanto…)?
Não, eles colaboram em níveis hierárquicos similares. Imagine um novo sistema. O arquiteto de dados será responsável pelos aspectos lógicos, principalmente a modelagem da estrutura da base; o DBA participará do projeto físico, como questões de distribuição, processamento e armazenamento. Um não trabalha sem o outro, e enquanto o projeto lógico deveria teoricamente determinar o físico, restrições tecnológicas podem (embora indesejável) determinar aspectos do lógico.
Como você afirmou acima, as vezes o DBA acaba executando algumas funções que estariam com AD, no Brasil tem mercado para um Arquiteto de Dados?
Ainda restrito e subvalorizado, mas tem. Empresas que têm na informação seu principal meio de trabalho costumam contratar ou formar um quando amadurecem. Bancos, empresas de informação de crédito, seguradoras e até corretoras de seguros, mesmo fornecedores de programas (é o caso de meu empregador atual).
É verdade que há retrocessos, como o advento da terceirização; assim, há o caso de uma multinacional fabril que terceirizou a mão de obra, de modo que a mesma vaga, que antes percebia determinada quantia CLT, hoje percebe a mesma quantia mas em regime PJ, sem correção significativa.
Outro fator detrimental é o foco em produtos, não em conceitos e processos. Assim, a mesma multinacional já deixou de contratar ótimos candidatos por falta de experiência em determinada marca de ferramenta de administração e diagramação, sendo que o candidato em questão tinha experiência suficiente em mais de uma ferramenta completamente equivalente.
Resumindo, ainda é um mercado bastante imaturo, o que leva a situações como as recomendações do AD serem vencidas por meras impressões e preconceitos de pessoas sem experiência com dados, opinando simplesmente do ponto de vista de vícios de programação por exemplo.
Então é possível afirmar que para um Arquiteto de Dados não é necessário ter conhecimento em vários banco de dados?
Em princípio não. Entretanto, devido à imaturidade de vários SGBDs — citem-se por exemplo, mas não exaustivamente, suporte deficiente a tipos de dados em Oracle, MS SQL Server, Sybase e MySQL, e problemas graves de desempenho e consistência neste último —, muitas vezes é conveniente que o AD possa compreender essas especificidades e trabalhar com o DBA e os desenvolvedores para adaptar a arquitetura e o modelo de dados às circunstâncias tecnológicas.
Não citou o PostgreSQL, ele é um boa referência para quem quer iniciar uma carreira como AD?
Uma das melhores, no mesmo nível do IBM DB2. São os SGBDs que têm o melhor suporte tanto ao padrão ISO SQL:2003 (o 2006 ainda não se fez sentir no dia-a-dia) quanto ao modelo relacional — ambos com restrições, mas ainda assim superiores a todos os concorrentes mais óbvios.
Entretanto, sendo uma área de atuação eminentemente lógica, recomenda-se, mais que determinados SGBDs, o futuro AD tenha um bom domínio tanto do modelo relacional, quanto de outros aspectos da teoria da gestão de bases de dados, e inclusive do padrão ISO SQL:2003 em si. As referências padrão, pela atenção que dão aos aspectos lógicos, são as obras de Chris J Date, embora polêmicas em vários aspectos que chegam a suscitar reações apaixonadas contra e a favor de vários praticantes de prestígio.
Esse é um ponto interessante, pois reflete alguns aspectos teóricos que envolvem o DBA. Um AD necessariamente deve ser um DBA também?
Não necessariamente. Entretanto, justamente devido a todas as restrições tecnológicas atuais, é interessante que o AD tenha a capacidade de adaptar-se a circunstâncias, o que pode ser facilitado se ele tiver tido alguma experiência com aspectos físicos, seja como DBA, programador, analista de sistemas, SysAdmin… isso lhe dará mais empatia com posições eventualmente divergentes na negociação de projetos de arquitetura de dados e modelagem, e possibilidade de dialogar com os problemas físicos reais ou imaginários freqüentemente trazidos por outros profissionais.
Pensando que uma empresa irá contratar uma consultoria para área de banco de dados, o que a mesma economizará contratando um Arquiteto de Dados ao invés de ter somente DBAs?
Nem tudo na vida são economias. Embora o principal foco do AD não seja monetário, porque o resultado do seu trabalho dificilmente é mensurável nesses termos, há muitos erros de projeto caros que podem ser minorados pela presença de um AD, ou pelo menos de um DBA com preocupação pelos aspectos lógicos.
Um dos aspectos do trabalho do AD é a normalização, que evita duplicação de dados que normalmente torna o desenvolvimento do sistema como um todo, mesmo na fase de programação, mais complexo, frágil, lento e arriscado, podendo também gerar custos de manutenção e operação como freqüentes anomalias de atualização, consumo exagerado de recursos de sistema, problemas de escalabilidade &c.
Um exemplo foi uma operadora de telecomunicações brasileira que tinha um consultor ao custo de ao menos nove mil dólares por mês (valor mínimo cobrado pela consultoria, possivelmente muito mais naquele caso específico) para resolver casos de inconsistência de dados. Além desse gasto muito simples e mensurável, essas inconsistências geravam grandes problemas de insatisfação de clientes. Não é difícil imaginar alguns desses problemas tornando-se questões mesmo de relações públicas, no caso de uma operadora de serviços públicos.
Há que se considerar também a questão da eficiência: embora alguns DBAs possam desempenhar funções de AD com razoável competência, será um uso ineficiente do recurso humano, que perderá foco em sua função tradicional sem realmente se concentrar na de AD.
O outro lado da moeda é que, devido ao baixo nível intelectual de muitas equipes de desenvolvimento impedi-las de compreender questões lógicas de conseqüências não inteiramente óbvias e imediatas, o peso da opinião de um DBA praticante pode ser maior que a de um AD. Entretanto, uma equipe com esse problema certamente terá muitos outros problemas igualmente óbvios e imediatos.
É um problema de maturação do mercado de TI no geral.
Aliás, ou de maturação ou, às vezes dá impressão, decadência…
Dê duas ou três dicas rápidas para quem quiser trabalhar como AD.
  1. Concentrar-se num sólido conhecimento conceitual;
  2. Abstrair problemas específicos de SGBDs, mesmo que depois sejam necessárias adaptações;
  3. Desenvolver uma visão ampla, que contemple desde as regras de negócio (== restrições de integridade) até questões de desempenho e manutenção da aplicação.

sábado, 22 de março de 2008

Administração de dados: codificação de caracteres

Codificação de caracteres. Não deve haver assunto mais insistente na lista brasileira de discussões. ASCII, Latin1 e UTF-8 estão sempre em discussão. Mas alguém pode dizer: ‘Isso não é um problema de administração de dados, mas físico! É uma questão do que é mais eficiente!’ Mas não — a codificação de caracteres limita o que pode ser codificado, e portanto um administrador de dados, sempre que possível, vai querer usar o que for mais flexível, que não estabeleça limites arbitrários.

Ainda tem gente brigando com bases de dados em ASCII. Tipicamente, porque instalou um sistema operacional sem configurar a língua, ficando com as configurações por omissão, ou seja, o local ‘C’. O problema é que o ASCII é 7 bits, portanto codifica apenas 128 caracteres — o que, devido a caracteres de controle, não imprimíveis, pontuação e acentuação para línguas mais votadas, não cobre todos os caracteres da língua portuguesa. Ou seja, é verboten!

A opinião mais corrente parece ser a de que ‘não se precisa mais que Latin1 no Brasil’. Errado! Latin1, cujo nome correto é ISO 8859-1, está obsoleto: por exemplo, não consegue codificar €, o símbolo do Euro. Ou seja, proibido também.

Então, dirão, vamos de Latin9, ISO 8859-15. Sim, é uma escolha razoável. Mas imagine que chegue um chinês maluco, goste de seu programa, e decida levá-lo para a China. Pena, você acabou de perder o negócio de sua vida. E se teu chefe decidir expandir negócios para a Índia, e descobrir que você criou um sistema que só serve para o Ocidente? Pena, você vai ter de procurar outro emprego.

Isso nos deixa com Unicode, do qual a escolha mais razoável no Ocidente é o UTF-8. Sim, UTF-16 é mais consistente, mas além de ser o único suportado pelo PostgreSQL, ocupa apenas um byte para os caracteres ocidentais, que costumam ser a grande maioria, exceto para aplicações estritamente locais do Oriente. E, se você tem algum problema em usar UTF-8… bom, ele suporta qualquer codificação, então certamente é um problema estritamente de aplicação, configuração, até um possível defeito no PostgreSQL ou alguma biblioteca relacionada, mas certamente não é um problema do UTF-8 em si.

Resumindo, a menos que você precise de algo muito, muito específico mesmo, faça-se um favor — Unicode na cabeça.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Administração de Dados: um sistema livre e relacional

Finalmente, habemus um sistema (quase) relacional e livre! Não, o (outramente ótimo) PostgreSQL não é relacional — ele é SQL e, portanto, não relacional. Mas o Alphora é tão livre quanto o PostgreSQL, e é quase completamente relacional, exceto por implementar os NULLs do SQL.

Perde-se algo? Desempenho, por enquanto. O Alphora é implementado por cima de bases SQL, portanto não consegue ter o mesmo desempenho, por acrescentar uma camada com seu próprio interpretador, alguma latência, consumo de recursos &c. Mas creio que vale a pena.

Buracos? Vários. Por enquanto roda somente em MS .Net, e nos SGBDs proprietários mais o MySQL. Mas tendo sido liberado o código-fonte (espero que seja bonito, ainda não vi), a esperança é que logo seja portado para Mono e PostgreSQL. E precisa de mais e melhor documentação.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Padrões em fotografia: negativos digitais

Negativos digitais ſão ſem dúvida a área na fotografia mais em falta de padrões. Muitas câmeras digitais nem ſequer produzem negativos digitais, vulgo arquivos crus. Seus JPEGs ſão os equivalentes digitais das câmeras inſtantâneas Polaroid: decentezinhas, mas não tem como preſervar a longo prazo nem como proceßar para melhorar.

O problema é que o JPEG repreſenta uma redução em relação às informações captadas pelos ſenſores, não tanto em reſolução mas pela redução na profundidade de cor (os ſenſores geralmente captam 12 ou até 14 bits), compreßão, equilíbrio dos brancos &c; todas deciſões que alteram ſignificativamente os reſultados fotográficos mas que não ſão reverſíveis num JPEG, por ißo a necessidade dos negativos digitais.

A preſervação devia ſer óbvia: um JPEG é para ſempre, mas o problema dos negativos digitais é que a grande maioria das câmeras grava formatos proprietários dos fabricantes. Certo, os formatos não ſão muito complexos e ſão todos razoavelmente ſuportados pelo DCRaw; mas ſomente um formato padrão ſerá realmente à prova do tempo, principalmente para uſuários de ſiſtemas proprietários que não uſem o DCRaw.

A alternativa mais viável no momento é o DNG. Definido pela Adobe, foi entretanto baſeado no padrão aberto TIFF/EP, que foi baſeado no padrão TIFF, originalmente pela Adobe, e ſerá ſucedido por uma nova verſão do TIFF/EP. Ou ſeja, tem hiſtória & tem futuro. O ſuporte geralmente ſe reſtringe a marcas menos vendáveis: Leica, Samsung, Pentax, Ricoh, Casio, modelos antigos da Haßelblad. E infelizmente, geralmente os modelos de menor volume de cada marca.

Mais infelizmente ainda para mim, não planejo ter nenhuma câmera DNG num futuro próximo. Há outros aſpectos de padronização que na verdade acabam ſendo tão importantes quanto o formato do negativo digital, e combinados com fatores econômicos acabam ſendo determinantes para mim; pretendo explorá-los aqui em breve. Mas, ſe você está penſando numa câmera, penſe neße fator.

terça-feira, 11 de março de 2008

Administração de Dados: tipos & domínios

Seguindo a série sobre os fundamentos da gestão de dados, falemos sobre os tipos de dados.

Fico impressionado com a quantidade de ‘ferramentas de modelagem de dados’ que não passam de diagramadores — porque não suportam o conceito mais básico depois da própria teoria de dados, que é o de tipagem.

Há muita confusão neste campo por erros terminológicos de ferramentas, métodos e mesmo padrões. Por exemplo, quase todos os sistemas de informática suportam alguns tipos de dados — mas geralmente são apenas alguns poucos tipos básicos, não extensíveis pelo usuário. E quando há essa extensibilidade, chamam-nos tipos abstratos de dados, como se houvesse outros tipos não abstratos. Confundem-se tipos com sua representação, de modo que duas representações são tratadas como tipos diferentes. E, por fim, chamam-se domínios a simples nomes dados a determinados tipos básicos, talvez com algumas restrições de integridade associadas.

Ora, tipos nada mais são que domínios e seus operadores associados; enquanto domínios são listas de valores (não necessariamente discretos) nos quais se pode definir um atributo. Assim, os domínios ISO SQL não são domínios de verdade, e o conceito realmente útil seria o de tipos, mas que também não é realmente suportado, e o que é suportado é de difícil implementação.

Sem uma definição de domínios centralizada no SGBD ou ao menos na ferramenta de modelagem, cada relação do modelo vai tender a ganhar diferentes definições para os mesmos tipos de dados, e o caos é o limite. Sem contar as comparações e cálculos absurdos que se fazem entre tipos de dados incompatíveis.

Em PostgreSQL temos uma sorte: os tipos são um pouco melhor implementados que noutros SGBD ou mesmo no padrão ISO SQL, e em combinação com os domínios SQL realmente se aproximam do conceito matemático. Duro é trabalhar num projeto que realmente implemente os tipos e aloque um programador (C ou D, por exemplo) para criar os tipos assim que possível, antes do resto da programação e implementação da base de dados.

O suporte, embora imperfeito, está aí. Mesmo que tipos SQL muitas vezes não sejam práticos, pelo menos seus ‘domínios’ ajudam. Agora não me venham com diagramas bonitos chamando-os de modelos, se pelo menos os domínios não estão definidos! Quase cem por cento de probabilidade de que, se já não houver grandes inconsistências, elas logo ocorram ao longo da vida da aplicação.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Arte e padrões abertos

Normalmente ſe aßocia a idéia de ſiſtemas abertos à Informática, principalmente na área de programação. Ultimamente, eſpecificamente a programas livres. Mas a verdade é mais complexa: exiſtem padrões abertos também na área de equipamentos, como as interfaces de computador PCI, USB, FireWire, SCSI, ATA… e mesmo fora da Informática. Na fotografia, os padrões abertos mais famoſos ſão a baioneta para câmeras reflex digitais Quatro Terços e a interface TTL para flash associada, os cartões de memória Compact Flaſh e sD, e os negativos digitais DNG e TIFF/EP.

Fica viſível que, em fotografia, apenas Compact Flaſh é um padrão amplamente difundido, até meſmo dominante; sD chega perto, enquanto o TIFF/EP e ſeu derivado DNG, aßim como o ſiſtema Quatro Terços, ſão francamente minoritários.

Ora, direis, ‘fotografia é arte, e o que importa é o fotógrafo, não o equipamento’. Mas primeiramente, ſou um Informata, um técnico, onde por maior ſeja o lado humaniſta (no ſentido amplo, não no de opoſição ao Criſtianiſmo) há também o lado perfeccioniſta; por eße lado, creio que os ſiſtemas abertos ajudam a conduzir à excelência técnica, que ſó pode ajudar a arte. Por outro lado, os padrões ajudam a diminuir as incertezas e complexidades do meio artíſtico, e aßim mais uma vez a arte é favorecida. Finalmente, o apriſionamento tecnológico derivado de padrões proprietários preßupõe ſegredos e dependência do indivíduo e das comunidades em relações a corporações, geralmente de grande porte, o que não parece coadunar com a expreßão artíſtica.

Alguém dirá ainda, ‘quanto romantiſmo’! Muito pelo contrário, o romantiſmo é o artiſta no centro de ſua obra, portanto profundamente egocêntrico. Padrões abertos favorecem a comunidade, ſão grandes equalizadores, e aßim tendem a diminuir o egocentriſmo e a diferenciação por ter ou não ter; ainda haveria diferenciação, mas por excelência, não por excluſividades.

Por fim, dirão que ‘padrões ſão paſteurizadores, impedem a inovação e a originalidade’. Mas eße é um engano fundamental ſobre a própria natureza de padrões abertos e seu opoſto, o apriſionamento tecnológico. Na verdade, o apriſionamento tecnológico impede a inovação e a originalidade, porque nele os padrões proprietários têm de permanecer ſecretos, impedindo que o conhecimento ſe eſpalhe e propicie avanços; e têm de mudar perifericamente quando o conhecimento ſe eſpalha para prevenir a compatibilidade ampla, preſervando a lucratividade do fornecedor, aßim roubando energia que poderia ter ſido dedicada a avanços reais.

Ao contrário, com ſiſtemas abertos os detalhes por aßim dizer mecânicos permanecem eſtáveis e não mudam ſem boa razão, e os ſiſtemas tendem a permanecer tão ſimples quanto poßível. Ora, tanto a eſtabilidade quanto a ſimplicidade favorecem as reais inovações, como bem ſabe qualquer engenheiro, ſeja formado ou prático (como eu); a inſtabilidade e a complexidade é que dificultam as inovações, juſtamente por fazer com que nos preocupemos com a mecânica, não com a utilidade.

Portanto, os fotógrafos, aßim como os informatas, ignoram os padrões abertos arriſcando a ſi meſmos, e prendem-ſe a ſiſtemas proprietários em prejuízo de ſua própria arte — para não dizer também de ſeus próprios bolſos.

domingo, 9 de março de 2008

Administração de Dados: os fundamentos

Gostaria de saber dum bom livro-texto de administração de dados. Faz falta, mesmo já com muitos anos de estrada, e mesmo tendo livros tão bons sobre modelos de dados quanto o do Date. Acontece que a ênfase dos livros costuma ser tecnológica; e mesmo um livro conceitual (e conceituado) como o do Date usa os conceitos como base para aplicações tecnológicas, não conseguindo — afinal, trata-se apenas de um livro-texto, não uma enciclopédia de gestão de dados — se preocupar com o projeto e manutenção dos modelos específicos de dados.

Aliás, também gostaria de ter mais contatos na área, a abrangência de meus interesses acaba prejudicando esse corpo-a-corpo tão necessário no Brasil.

Enfim, farei aqui algumas anotações, na esperança de que alguns colegas vejam e comentem.

Primeira anotação: qual o fundamento mais importante da administração de dados?

Resposta irrefutável, mas que virá como surpresa para os empiricistas: uma teoria de dados.

Muita gente começa até com um bom entendimento dos dados em si no sentido de que conhece a aplicação e os usos que fará de que dados. Mas acaba fracassando na organização desses dados, e criando sistemas que não escalam, que são xingados por usuários e mantenedores, que têm de ser refeitos várias vezes até se tornarem aceitáveis, por faltar uma teoria de dados. Daí também vêm tiros no pé como bases de dados multivaloradas (Pick, Caché), navigacionais (Clipper, BTrieve) e orientadas a objeto (Jasmim, de novo Caché). E coisas mais estranhas ainda, como o ReiserFS (não a implementação atual, mas o objetivo final).

Aqui não é o lugar para justificar o modelo relacional como única teoria de dados válida, nem para criticar os outros. Então meus (eventuais) leitores terão de fazer a tarefa de casa, que consiste em ler —­ de preferência, o Date supracitado — e pensar muito.

Fórum Quatro Terços

SSó para notificar os viſitantes que, além deſtas mal-traçadas, há um fórum Quatro Terços no DigiForum.

Padrões em fotografia

Algo que muito me preocupa, como informata (não procure a palavra nos dicionários, embora já seja usada até em projetos legislativos) partidário de ſiſtemas livres, ſão os padrões técnicos: baionetas de lente, cartões de memória, negativos digitais, baterias, flaſh.

Há muita confuſão no meio, aparentemente por falta de informação técnica — fotografia ainda é mais arte que técnica, e exiſte um preconceito intereßante e abſurdo de muitos artiſtas contra a técnica, aßim como muitos técnicos obcecam-ſe com a técnica em detrimento da arte — e especialmente porque muitos fotógrafos concentram-ſe apenas no conhecimento neceßário a operarem ſeu equipamento, portanto reſtringindo-ſe à tecnologia, padrões e nomenclatura de ſeu fornecedor.

O reſultado, é claro, é o apriſionamento tecnológico, levando a altos preços, funcionalidade limitada, confuſão na eſcolha de equipamentos, falta de liberdade na eſcolha de fornecedores.

Vou tentar anotar nos próximos dias algumas idéias ſobre padrões nas diverſas áreas delineadas acima. Vejamos ſe perſevero!

Wikipædia, até logo

Há anos já eu vinha editando a Wikipædia, principalmente em português e inglês mas também em francês e por vezes mesmo caſtelhano, galego e outras línguas menos votadas, ſe não me falha a memória.

Há algumas semanas virei o fio, quer dizer, cansei. Não pelos inúmeros problemas técnicos da Wikipædia, como ter ſido baſeada em MySQL — foße PoſtgreSQL, poderíamos ter um único uſuário cada um válido para todas as línguas do mundo, não teríamos tantas interrupções de ſerviço —, mas porque ſou um perfeccioniſta que ficava corrigindo pontuação, acentuação, tipografia, eſtilo &c. Continuam me irritando profundamente a mania brasileira de uſar traveßão (—) em vez de meia riſca (–) como separador, ou a deficiência generalizada de referências e ſeu uso inconſiſtente, e muitas outras coisas mais, mas chega, canſei. Deſde começos de fevereiro de dois mil e oito não edito mais. Não deſcarto voltar a fazê-lo, mas eſtou canſado de enxugar a praia, e tenho mais, muito mais o que fazer.

O que me faria voltar? Que as peßoas tentazem fazer o melhor, e aprendeßem com os erros e correções. Não me eſperem de volta tão cedo…

Fotografia

Vou paßar a eſcrever ſobre fotografia digital aqui. Estava eſcrevendo muito ſobre ißo em vários fora, alguns dos quais nem ſão indexados pelo Google, ſão comunidades fechadas. E prefiro as abertas. Vou continuar ajudando neles conforme o tempo permitir, mas a idéia é centralizar tudo aqui, e enfatizar participação em liſtas de diſcußão.

Já encontrei a liſta Zuikoholics Anonymous, que é ótima — muitas informações técnicas de altíßima qualidade, lá deſcobri muito ſobre as OM e ſobre flash, por exemplo — mas ainda é muito voltada a Olympus e a filme, eſpecialmente o ſiſtema OM, enquanto tenho grandes intereßes nos ſiſtemas Pen F e Quatro Terços; e embora a Pen F eſteja de fato no eſcopo da Zuikoholics, e as Olympus E ſejam do Quatro Terços e diſcutidas lá, ainda não achei uma liſta eſpecífica (que englobe as câmeras Quatro Terços da Panaſonic e da Leica, e lentes Sigma), nem tenho tempo de entrar noutra.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Conferência PostgreSQL Brasil 2007

Dois dias de conferência. Meſmo ſem ter participado da organização, fotografei (166 poses), ajudei a atender peßoas, fiquei até às 21h, traduzi… além de minha paleſtra.

Fazia tempo que não via tanta gente inteligente junta, e parece que minha paleſtra não foi um fiaſco completo. Eſpero que tenha ajudado.

Mais tarde publico algumas fotos — a maior parte ſe perdeu porque não sabia regular a ſenſibilidade do sensor, e lidei com um palco sombrio e a projeção das tranſparências ao fundo. Só no final deſcobri como ajuſtar o ASA para [48]00 e ſer feliz.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

PostgreSQL Conference Brasil 2007

Vou falar no PGCon 2007, patrocinado e organizado pela comunidade PoſtgreSQL brasileira e pela Tempo Real, sobre Adminiſtração e Modelagem de Dados em PoſtgreSQL.

Inſcrevam-ſe e acompanhem aqui, pretendo publicar o conteúdo da palestra antes do evento para que todos a aproveitem melhor e quem ſabe naſça algum debate intereßante.

sábado, 27 de outubro de 2007

E o MS Windows afundou o Onda…

Hiſtória antiga:

Em 1 999–2 000 morei em Londrina, PR. O provedor mais popular lá era o Onda, na época ligado à Telepar e hoje à RPC.

Acabara de comprar meu ſaudoſo Apple Power Macintoſh G3 bege de meſa, com um (caríßimo, na época) modem Diamond. Funcionava que era uma beleza: conexões inſtantâneas, duráveis, eſtáveis, próximas do limite teórico da banda.

Pouco tempo antes de me mudar, tudo mudou. De um dia para outro, preciſava duas a quatro tentativas para obter uma conexão de menos da metade da banda com que eſtava acoſtumado, e que durava de cinco a quinze minutos antes de cair. Ligava para o Onda, e nada de ſolução. Fui tranſferido de volta para São Paulo, e deſencanei.

Na época me familiarizava ainda com a plataforma Macintoſh (incluſive o não tão ſaudoſo Mac OS 9), e portanto participava de liſtas de diſcußão eſpecíficas — a mais importante ſendo a ſaudoſa MacBBS. E como ſói acontecer, ſempre há quem chegue neßas liſtas para falar mal da plataforma e dos produtos. Geralmente fãs de carteirinha da MicroSoft, que, como a empreſa, têm dificuldade em aceitar tanto a diverſidade tecnológica quanto os padrões abertos e ſua própria inferioridade tecnológica; ou defenſores dalguma diſtribuição GNU/Linux ou BSD, dalguma verſão de Mac…

Enfim, apareceu um ignaro na MacBBS (ſe não me falha a memória) dizendo que Mac OS não preſtava (o que talvez foße verdade na verſão 9), que bom meſmo era MS Ƿindoƿs… quando vieram as críticas óbvias de inſegurança, eſtabilidade &c ele ‘argumentou' que elas ſe aplicavam ſomente ao NT, que de fato era ruim, mas que o 2000 era muito melhor, não tinha nenhum problema. Tentamos moſtrar‐lhe que era mera ignorância ſua de plataformas melhores; que ele achava o 2000 bom por não conhecer ſiſtemas POSIX ou de grande porte.

O peixe morre pela boca… ſem argumentos, noßo amigo quis dar exemplos. E diße que tinha um cliente no Paraná, um provedor de aceßo, que uſava Sun Solaris mas, devido ao alto cuſto de ſyſadmins e equipamento, migrara tudo para MS Ƿindoƿs 2000. ¡Bingo! Foi ſó perguntar quando ißo ocorrera, e confirmar que tratava‐ſe do Onda.

Deſneceßário dizer que todos meus conhecidos, contraparentes e amigos migraram do Onda para o outro grande provedor de Londrina, o Sercomtel. O barato ſaiu caro para o Onda.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Trens impoßíveis

A ſituação de tranſporte público em São Paulo eſtá vergonhoſa. Ainda prefiro o PSDB às alternativas, ainda mais ſabendo que o funcionaliſmo público é lento e a ſituação já melhorou muito em relação aos tempos em que os trens eram federais. Mas a linha Jurubatuba—Oſaſco eſtá ſuperlotada, tendo ganho a integração Jurubatuba–Autódromo sem ganhar mais vagões. Os trens têm quebrado e atraſado, e o reſultado ſão brigas entre os paßageiros para entrar e ſair dos vagões, gente paßando mal, e eſtes circulando de portas abertas.

Não adianta limitar as catracas de entrada ſe os trens atraſam; fizeram ißo hoje em Jurubatuba e piorou, porque um trem ſaiu relativamente vazio enquanto a fila eſtava grande, e o ſeguinte, atraſado, ſuperlotou.

Pura incompetência eſtatal. ¡Acorda, Serra! Nem que tenham de deſlocar vagões de outras linhas, colocar compoſições velhas de volta em circulação ou fazer licitações emergenciais. Não dá para eſperar a programação atual da CPTM, ¡que prevê melhorias apenas para 2009!

Aquecimento global… ¡ſe o pauliſtano é praticamente obrigado a andar de carro! Quem ſabe ¿os EUA poderiam ſe redimir da rejeição ao protocolo de Kyoto financiando noßo metrô? Se bem que a prioridade deve ſer a energia de carvão chinês…

Só ſaindo de São Paulo dos Campos de Piratininga.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Códigos de língua e território para o galego

Exiſte muita confuſão e deſinformação ſobre a codificação das variantes do galego na Informática. A única regra reconhecida é gl para língua e gl_ES para a variante oficial da Espanha; e há quem proponha pt_GL, gl_GZ ou pt_GZ para a variante portuguesa.

O problema é que a segunda parte do código de dialeto não designa a variante em si, mas o território onde é falada; e não existem os territórios GL ou GZ. Exiſte, sim, gl_ES e gl_PT; mas meſmo ißo é controverſo, viſto que galego e português ſão dois dialetos da meſma língua, em pé de igualdade com o português do Braſil. Talvez a ſolução mais correta foße pt_ES para o galego como eſcrito na Galícia eſpanhola, mas ißo deixaria o galego como eſcrito em Portugal ſem um código fácil, exigindo algo como pt_PT@gl.

Ißo torna o galaico‐português uma língua sui generis, com quatro codificações para três principais dialetos diferentes: gl_ES, gl_PT, pt_BR, pt_PT.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Blog do (para) o Felipe

A Débora criou um blog para o Felipe — obviamente não é o blog dele, mas para ele.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Contra a Reforma Ortográfica, Letra Natimorta

Faço questão de ignorar essa nova reforma ortográfica. Foi um fracasso desde o começo, buscando uma unificação irracional — porque a ortografia portuguesa é fonética, e os dialetos divergem — e indesejada. Os burocratas de plantão nos colocaram numa situação onde o país mais importante, Portugal, não aderiu. E vai tornar o português do Brasil mais inconsistente.

Adotaria de bom grado um acento diferencial para o passado, como se faz em Portugual (andámos, falámos), e perder alguns hífens — mas o resto das mudanças é bem inútil. Talvez o agudo de idéia, aßembléia pudesse cair; o resto deve permanecer.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Trabalhos de uma Abelha

Megumi‐chan eſtá finalmente no cibereſpaço com ſuas artes!

terça-feira, 31 de julho de 2007

Canſei de ſer braſileiro — e enganado

Me parece que falta foco — mas quem ſabe vale a pena manifeſtar alguma indignação. Pelo menos é melhor que aquelas inócuas ‘manifeſtações pela paz’, que nem dão condições à polícia trabalhar, nem evitam que os cidadãos ſejam coniventes, nem convertem os bandidos. Vaias valem!

O ideal ſeria eßa indignação levar à renúncia do chefe da quadrilhaPreſidente da República.

Só o que me ſegura aqui, além do medo de ſair, é a igreja.

Sou contra a CPMF

Vamos acabar com a CPMF. O governo tem de diminuir gastos, não continuar com impostos temporários.

Em precisando de impostos, têm de ser convenientes. A CPMF é extremamente inconveniente, fazendo com que precisemos de mais contas bancárias e freqüentemente de evitar serviços bancários. Ao fazer com que evitemos os bancos, aumenta os custos das transações bancárias e, portanto, os custos que compõem a tarifa. Também contribui para as tarifas altas ao diminuir a competição entre bancos.

Para ser justo, não foi invenção do PT nem o Lula foi o primeiro a prorrogar. Entretanto, o Lula está pagando dívidas do governo e pendurando amigos no imenso cabide que é Brasília — quel tal nos dar um alívio?

terça-feira, 3 de julho de 2007

Quaſe‐convertidos

Lendo uma crônica recente do João Ubaldo Ribeiro no Estadão, lembrei como tantos intelectuais, ao amadurecerem, chegam a parecer quaſe convertidos… por exemplo o Paulo Francis.

E não é ſó conſervadoriſmo, parece meſmo que ficam mais ſábios, mais realiſtas, preocupando‐ſe com queſtões mais fundamentais.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Administração de dados à la Unix

Originalmente publicada em pgbr-geral@postgresql.org., tranſcrita com adaptações.

Eſta é uma idéia bem incipiente, goſtaria de diſcuti-la aqui. Alguns podem achar que é fora do tópico; neße caſo, aceito ſugeſtões de onde debatê-la.

Andei inveſtigando ferramentas de modelagem, e acabei ficando fruſtrado. Pelo que olhei e até teſtei, as ferramentas ‘profißionais’ eſtão por volta de US$4K, chegando facilmente a US$8K ſe a gente quiſer ‘luxos’ (¡não!) como verſionamento. As ferramentas livres são inexiſtentes, incompletas e (ou) imaturas; eſcolha pelo menos dois deßes adjetivos. Além de falta de ſuporte a ſiſtemas livres e vai por aí afora.

Mas agora o que tem me irritado é o próprio fluxo de trabalho deßas ferramentas. Não são nada práticas, forçando tudo a paßar por diagramas. Eu preferiria fazer tudo em texto, e ter diagramas como ſaídas do proceßo, não entradas. E tive a idéia maluca de eſcrever uma propoſta a reſpeito, mas queria ſaber ſe alguém já viu algo aßim, ou ſe é abſurdo.

Hoje, numa ferramenta de modelagem de dados, o proceßo começa com a definição de um dicionário de dados. Uſando eße dicionário de dados, cria-ſe um DER. Eße diagrama é então traduzido para o ſabor SQL do SGBD relevante.

O problema óbvio é que diagramas são menos expreßivos e mais chatos de fazer que um programa SQL ou (idealmente) relacional. Então por que não eſcrever ISO SQL, Tutorial D ou meſmo D4 (deſculpem os idealiſtas, também ſou idealiſta mas…)?

Não ſeria fácil, mas creio que ſeria poßível, com planejamento e paciência, criar um ſiſtema muito mais produtivo e flexível uſando a filoſofia Unix: cada tarefa deve ſer bem feita por um componente. As interfaces são bem definidas, e cada ferramenta pode ſer ſubſtituída ou melhorada independentemente.

No caſo, começar‐ſe‐ia com uma gramática (por exemplo) Tutorial D ou D4. Talvez uſar um derivado de Scheme ou ML para obter mais concisão e poder programático, creio que já fizeram um SchemeQL ou coiſa aßim. Mas talvez um ſubconjunto do ISO SQL:2003, deixando de lado tudo o que for físico como ponteiros, índices &c; embora eu não creia que o SQL seja ſuficientemente expreßivo de todas as ſituações com que um SGBD deva lidar — eſpecificamente, todos os tipos de reſtrições de integridade.

Neßa linguagem, definiríamos domínios, entidades, regras de negócio &c, tudo o que tem a ver com o modelo lógico (conceitual). O básico é ter a linguagem definida; a partir daí criam-ſe validadores e compiladores. O reſultado dos compiladores ſeria um programeta de definição de dados para o(s) SGBD(s) alvo de eſcolha, por exemplo noßo caro Dumbo.

Deßa meſma definição, uſaríamos um AutoDoc ou SQL Fairy (cuidado, a página inicial dele cega!) para gerarmos todos os diagramas que quiséßemos: DER, IDEF1X &c para benefício dos uſuários. Até aí é trabalho do Adminiſtrador (ou Arquiteto) de Dados. A partir da linguagem, podemos criar todo tipo de auxílios, como IDEs (um modo Emacs, por exemplo).

Até aí foi conceitualmente tranqüilo. O que me preocupa, além da poßibilidade deßa idéia ſer muito pior do que me parece, é o ſegundo paßo: findo o trabalho do AD, começa o do Adminiſtrador de Baſes de Dados, o ſempre popular ABD (ou DBA, para os anglófilos). Ele teria de pegar eßa definição da Baſe de Dados (BD) e acreſcentar tudo o que é físico: índices, parâmetros de armazenamento &c. Não me parece eſpecialmente difícil; ele poderia fazê-lo ſeja numa extensão da noßa linguagem conceitual, ſeja na linguagem do ſiſtema alvo. Ou meſmo através de remendos a aplicar ao modelo conceitual, como ſe faz em programação tradicional meſmo.

Tenho certeza de que há muitos percalços nos quais não penſei, mas queria ſaber de vocês o que acham.

Para concluir, creio que um ſiſtema aßim poderia ſer o começo de coiſas muito melhores. Por exemplo, o único quaſe‐SGBDR hoje em produção é o Alphora Dataphor, que tem algo ſemelhante não para modelagem de dados mas para o ſiſtema como um todo: a gente eſcreve D4 (que é uma D válida) e os comandos são executados num SGBD SQL (infelizmente ainda não ſuporta o Jumbo). É um ſiſtema proprietário e complexo, e ainda por cima em MS .Net, mas é uma boa idéia. Não conſigo imaginar hoje um projeto dum clone ou equivalente livre dele, mas eße noßo ſiſtema eventualmente poderia ſer um primeiro paßo.

Deu para entender?

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Desenhos do Felipe

Estou em modo paternal — aqui vão algumas fotos de família.

Família

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Procurando um DBA

Procuro um DBA para meu atual empregador. Tem de saber ou MySQL ou PostgreSQL, de preferência ao menos um pouco dos dois. Ficamos na Av Engº Luís Carlos Berrini, zona sul de São Paulo, SP, perto da Av Águas Espraiadas.

Alguém se candidata?

terça-feira, 20 de março de 2007

Críticas aos EUA

Outra do amigo Bachega:

American Jesus

Bad Religion

I don’t need to be a global citizen
’Cuz I’m blessed by nationality
I’m a member of a growing populace
We enforced our popularity
There are things thet seem to pull us under and
And there are things that drag us down
But there’s a power and vital presence
That’s looking all around
We’ve got the American Jesus (2×)
See him on the Interstate

I feel sorry for the Earth’s population
’Cuz so few live in the USA
At least the foreigners can copy our morality
They can visit but they cannot stay
Only precious few can garner the prosperity
And it makes us walk with confidence
We’ve got a place to go when we die
And the architect resides right here
We’ve got the American Jesus
Bolstering national plan
We’ve got the American Jesus
Overwhelming millions everyday

He’s the farmer barren fields
The force the army wields
The expressions in the faces
Of the starving millions
The power of the man
The fuel that drives the clan
The motive and the conscience
Of the murderer
He’s the preacher on TV
The false sincerity
The form letter that written by
The big computers
He’s the nuclear bombs
And the kids with no moms
And I’m fearful that
He’s inside me

We’ve got the American Jesus
See him on the interstate
We’ve got the American Jesus
Exercising his authority
We’ve got the American Jesus
See him on the interstate
We’ve got the American Jesus
Overwhelming millions everyday, Yeah!

One nation under God (×8)

As críticas ſão válidas para muitos eſtadunidenſes, e injuſtas para muitos outros.

Eu prefiro pregar o certo e criticar os de dentro, antes que os de fora. Eſtá muito fácil criticar os EUA em tempos de Buſh, e muito fácil perder a perſpectiva não vendo os erros dos outros — incluſive os noßos — que incluſive ajudam a propiciar os deles.

E olha que o pragmatiſmo eſtadunidenſe eſtá deſtruindo minha profißão, a Adminiſtração de Dados. Não ſem a colaboração da omißão européia, da cupidez oriental, e da ignorância braſileira — aliás, terceiromundiſta.

Rubem Alves, a praga

Mais um artigo enviado pelo amigo Bachega, preciſando duma análiſe.

A Praga

Alves, Rubem

Triſte… para fazer um argumento (válido) contra a infalibilidade papal, ele ataca o caſamento. E também triſtemente, eße tipo de argumento ſutil e deſtrutivo é típico do Rubem Alves, e é típico da Folha publicar eßas coiſas baixas.

É bom atentar para o que o papa diz. Porta-voz de Deus na Terra, ele só pensa pensamentos divinos. Nós, homens tolos, gastamos o tempo pensando sobre coisas sem importância tais como o efeito estufa e a possibilidade do fim do mundo. O papa vai direto ao que é essencial: o segundo casamento é uma praga!

Olha que ridículo. Que poßibilidade de fim do mundo? Hoje ſó há duas: a Segunda Vinda ou a guerra nuclear.

E quem diße que recaſamentos fora dos parâmetros bíblicos não ſão piores que o efeito eſtufa? Eſte tem ſido exagerado a ponto de arrancar exortações por parte de cientiſtas que crêem que tem-ſe deſacreditado a ciência para conſeguir verbas aßuſtando o povo.

Aliás, o papa não vai direto ao que é eßencial: ſua afirmação eſtá contida em Sacramentum Caritatis, uma Exortação Apoſtólica Pós-Sinodal Ao Epiſcopado, Ao Clero, Às Peßoas Conſagradas e Aos Fiéis Leigos Sobre a Eucariſtia, Fonte e Ápice da Vida e da Mißão da Igreja; ou ſeja, é algo que não intereßa nem ao Rubem Alves nem àqueles que penſam como ele, os quais ou não fazem parte da igreja romaniſta, ou o fazem hipocritamente.

Está certo. O casamento não pertence à ordem abençoada do paraíso. No paraíso não havia casamento. Na Bíblia não há indicação de que as relações amorosas entre Adão e Eva tenham sido precedidas pelo cerimonial a que hoje se dá o nome de casamento: o Criador, celebrante, Adão e Eva nus, de pé, diante de uma assembléia de animais, tudo terminando com as palavras sacramentais: E eu, Jeová, vos declaro marido e mulher. Aquilo que eu ajuntei os homens não podem separar…

Ele confunde cerimônia com fato. Eſquece que caſamento e acaſalamento deviam ſer a meſma coiſa, e o eram antes da Queda.

Os casamentos, o primeiro, o segundo, o terceiro, pertencem à ordem maldita, caída, praguejada, pós-paraíso. Nessa ordem não se pode confiar no amor. Por isso se inventou o casamento, esse contrato de prestação de serviços entre marido e mulher, testemunhado por padrinhos, cuja função é, no caso de algum dos cônjuges não cumprir o contrato, obrigá-lo a cumpri-lo.

Foi um padre que me ensinou isso. Ele celebrava o casamento. E foi isso que ele disse aos noivos: O que vos une não é o amor. O que vos une é o contrato. Aprendi então que o casamento não é uma celebração do amor. É o estabelecimento de direitos e deveres. Até as relações sexuais são obrigações a ser cumpridas.

E qual o problema com ißo?

É bem próprio do hedoniſmo moderno crer que a obrigação não pode ſer prazeiroſa. O que, em última inſtânica, remete à própria Queda.

Na verdade, a obrigação dá condições para a ſobrevivência e deſenvolvimento do amor. Sem a obrigação permanente, irreverſível, o amor é deſtruído face às dificuldades do dia-a-dia.

Agora imaginem um homem e uma mulher que muito se amam: são ternos, amigos, fazem amor, geram filhos. Mas, segundo a igreja, estão em estado de pecado: falta ao relacionamento o selo eclesiástico legitimador. Ele, divorciado da antiga esposa, não pode se casar de novo porque a igreja proíbe a praga do segundo casamento. Aí os dois, já no fim da vida, são obrigados a se separar para participar da eucaristia: cada um para um lado, adeus aos gestos de ternura… Agora está tudo nos conformes. Porque Deus não enxerga o amor. Ele só vê o selo eclesial.

Obviamente Alves, muito eſperto, varre para debaixo do tapete o pequeno detalhe do adultério…

O papa está certo. O segundo casamento é uma praga. Eu, como já disse, acho que todos são uma praga, por não ser da ordem paradisíaca, mas da maldição. O símbolo dessa maldição está na palavra ‘conjugal’: do latim ‘com’, junto e ‘jugus’, canga. Canga, aquela peça pesada de madeira que une dois bois. Eles não querem estar juntos. Mas a canga os obriga, sob pena do ferrão…

O fato etimológico é intereßante. A aplicação, errônea. O argumento, deſoneſto. Mas o que eſperar dum aliciador de jovens ſeminariſtas à ſodomia?

Por que o segundo casamento é uma praga? Porque, para havê-lo, é preciso que o primeiro seja anulado pelo divórcio. Mas, se a igreja admitir a anulação do primeiro casamento, terá de admitir também que o sacramento que o realizou não é aquilo que ela afirma ser: um ato realizado pelo próprio Deus. Permitir o divórcio equivale a dizer: o sacramento é uma balela.

Até Roma permite a anulação, e não é tão rara quanto ſe crê. O atual papa acaba de pedir a criação de mais tribunais ecleſiáſticos para aviá-los, meſmo que a avalanche de anulações válidas em ſi já ſeja um péßimo ſintoma; é, no mínimo, honeſto. E na Bíblia há divórcios permitidos. Mais um argumento inválido.

Donde, a igreja é uma balela… Com o divórcio ela seria rebaixada do seu lugar infalível e passaria a ser apenas uma instituição falível entre outras. A igreja não admite o divórcio não é por amor à família. É para manter-se divina…

A igreja, sábia, tratou de livrar seus funcionários da maldição do amor. Proibiu-os de se casarem. Livres da maldição do casamento, os sacerdotes têm a suprema felicidade de noites de solidão, sem conversas, sem abraços e nem beijos. Estão livres da praga…

É tudo o que ſe ſalva deße texto.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Bíblias livres em Português

No projeto Sword da Sociedade Bíblica Croßwire, preciſamos de Bíblias em Português. No momento, o único texto já digitalizado é o traduzido por João Ferreira de Almeida, edição Revista e Corrigida de 1.911. Preciſávamos dum texto melhor, provavelmente a Tradução Brazileira de 1.917. A idéia é obter um digitalizador de livros como um Plustek OptiBook ou um Atiz BookDrive DIY — o problema é importá-lo — ou encontrar um já no Braſil. Sugeſtões?

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Voz sobre Protocolo da Rede

Finalmente eſtou configurado para usar a famigerada VoIP, ou Voz ſobre Protocolo da Rede. Ou ſeja, de qualquer diſpoſitivo (equipamento ou programa de computador) SIP baſta me chamar. Ißo inclui programas como Ekiga, Gizmo &c.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Migração de MySQL para PoſtgreSQL

Eſtive muito fruſtrado com um detalhe do meu trabalho, o MySQL. O caminho ideal ſeria migrar para PoſtgreSQL.

Cheguei a teſtar vários programetas Perl, Ruby, Python para fazer a migração. Todos funcionam, embora ſem conſertar os problemas de tipos de dados típicos duma baſe MySQL; alguns ſão baſtante ineficientes. E cheguei a ter ſuceßo.

Mas demorei demais, e o patrão arranjou outras prioridades para os deſenvolvedores que iam ajuſtar a aplicação. Projeto abortado, e eu, fruſtrado.

Agora, no CONISLI 2006, encontrei o David FETTER, autor do DBI Link, que nada mais é que um mecaniſmo de federação para PoſtgreSQL: permite gerir diverſas fontes de dados tabulares como tabelas do PoſtgreSQL.

A idéia agora é implantar, junto de cada baſe de dados MySQL, uma baſe de dados PoſtgreSQL, que ſerá a definitiva e enxerga todos os dados MySQL. Funcionando os aplicativos com a baſe PoſtgreSQL, pode-ſe migrar uma tabela de cada vez, ou as tabelas relativas a um aplicativo de cada vez.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Livros mais baratos

Abaixei o preço dalguns livros.

¿Lutar ou emigrar?

Às vezes dá vontade d’emigrar. Reeleger o Lula… um governo corrupto e incompetente, que roubou e mentiu para ſe perpetuar no poder, apoiado por entidades sem exiſtência legal que querem mudar o regime violentamente, que aparelhou o Eſtado para alimentar o partido e eſtá identificando o governo com o partido a ponto de dificultar a aſcenſão doutros partidos, aßim arriſcando-ſe a derrubar efetivamente a (fragilíßima) democracia braſileira. Ninguém quer chamar os militares, nem eles querem ſer chamados, e na verdade exiſte uma identificação nacional-eſtatiſta dos militares com o PT. Mas também, não queremos ser uma Bolívia ou Venezuela.

O problema é, como emigrar… e ſe vale a pena. Goſtaríamos de ajudar na igreja, de ajudar o povo; mas às vezes penſa-ſe ſe ißo meſmo não é mais fácil de fora. Mas por outro lado, outros paíſes têm ſeus problemas, como proibir que ſe diſciplinem os próprios filhos.

De qualquer maneira, emigrar exigiria um grande inveſtimento, ſeja de tempo ou de dinheiro; inveſtimento que provavelmente ſerá melhor aplicado em uma pós-graduação, até como paßo intermediário da emigração, e pode talvez proporcionar um nível de vida mais compatível com a expectativa da família e o deſejo do coração.

Na igreja

Graças a Deus, temos participado da igreja como nunca antes. Já tive a reſponſabilidade de pregar duas vezes, mais duas aulas de eſcola dominical e devo eſtar no terceiro eſtudo bíblico de quarta-feira (antes, quinta). A única vez que me ſenti tão útil na igreja foi no tempo de ABU, quando ela era menos politizada do que hoje — na verdade, os noßos grupos é que talvez foßem mais iſolados da maioria dos outros grupos, mais politizados. Preciſo publicar eßes eſtudos em meu ſítio.

CONISLI 2006

Paßei ſexta de manhã, ſábado o dia inteiro e a tarde de domingo no CONISLI, um congreßo de ſiſtemas livres. Pena que não me planejei melhor; a tarde de ſábado, para a qual já tinha compromißo firmado, deve ter ſido a mais intereßante, repleta de paleſtras PoſtgreSQL. Entretanto, ainda foi muito bom. Conheci peßoalmente várias peßoas conhecidas de há anos de liſtas de diſcußões da comunidade brasileira de PoſtgreSQL. Pena que minha ſituação financeira não me permite comprometer-me mais com eles.

sábado, 2 de setembro de 2006

Comparação de renda: CLT, Flex e PJ

Enriqueci a planilha comparativa da APInfo com o eſquema CLT Flex (ou Cotas). O arquivo eſtá em formato Open Document. O intereßante é verificar que, recebendo como CLT, o reſultado final é inferior ao meſmo bruto do Flex, ao contrário do PJ. Como nem o Google encontra uma boa explicação ſobre CLT Flex, aqui vai: recebe-ſe uma parcela do ſalário combinado, geralmente cerca de 40% do bruto, e o reſtante é pago na folha, mas ‘por fora’ do ſalário, na forma de deſpeſas como aluguel, tranſporte &c. Ißo para evitar os deſcontos legais.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Corcete, o melhor head hunter de São Paulo

Hoje um amigo comum eſtava numa roda de empreſários e ouviu alguém comentar que o Corcete é o melhor head hunter da região de São Paulo. Corcete ſendo, é claro, Oliveira Corcete Dutra, meu pai.

E olhem que ele é melhor inſtrutor ainda.

sábado, 29 de julho de 2006

Vendo ou troco livros

Troco ou vendo alguns livros, que tenho em duplicata.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Tradução Brasileira

Não, não é a Herbert Richers. É uma tradução braſileira da Bíblia Sagrada feita em começos do século XX, atualmente ſob domínio público. Onde ißo me afeta é que eſtou em buſca de uma cópia eletrônica para publicação pela Sociedade Bíblica CroßWire. É uma edição da Sociedade Bíblica do Brasil, dentro do pacote Bíblia Online. Se alguém ſouber de um exemplar em papel, também eſtou em buſca de.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

De volta à Rede, configurado

Finalmente, após ‘longo e tenebroſo inverno’, eſtou de volta à Rede, configurado e eſtável.

sábado, 24 de junho de 2006

Padrão japonês de burrice

Devemos ao ſenhor Hélio Costa mais um epiſódio de atraſo nacional. E a seu patrão Luís Inácio ‘Lula’ da Silva.

Porque eles paßaram por cima do intereße nacional para atender às emißoras de rádio & TV. Não porque o padrão japonês de televiſão digital lhes foße mais conveniente, mas porque é mais inconveniente a seus concorrentes.

Explica-ſe: Hélio Coſta é da área de radiodifuſão, e cuida de ſeus intereßes, no caſo o de enfraquecer a concorrência. Já Luís Inácio da Silva quer ſe reeleger a qualquer cuſto, haja viſto todas as deſoneſtidades que tem praticado (dizer não ſaber do menſalão, preßionar pela ſaída do ar do Bóris Casoy &c), & portanto tem de atender às emißoras para ter ſeu beneplácito à ſua reeleição.

É o PAL-M II, o Retorno. Só que na época havia a deſculpa do protecioniſmo, que equivocadamente identificava-ſe com o intereße nacional, e da excelência técnica. Hoje eſcolhe-ſe o padrão mais antiquado, ſem benefícios comerciais palpáveis, por intereßes clara & deſpudoradamente peßoais.

¿Será que a Nova Zelândia (ou a Suíça, ou o Canadá, ou…) não querem uma família de imigrantes? Ou ¿Deus não quer um paſtor aqui no Braſil meſmo? Porque viver aqui como profißional e cidadão eſtá cada dia mais fruſante. Ou ſe é cidadão doutro país, ou ¡doutro mundo!

segunda-feira, 19 de junho de 2006

De novo na ativa

Depois de quaſe quarenta dias no mercado, de volta à ativa. Para meu alívio, deſta vez o clima é muito bom. O ſalário ainda é inſuficiente para ſuſtentar a família em São Paulo, e é impoßível morar onde queríamos, mas eſpero que vá melhorar.

O mercado de trabalho parecia aquecido, mas nenhuma oferta ſe concretizou em maio, e apenas eßa em junho. Entretanto, é uma empreſa com um bom potencial de creſcimento. Vejamos o que Deus tem para nós.

Ainda não ſei a política da empreſa para blogs, então vou me abster de maiores comentários. Mas é a primeira empreſa onde, além de ter contato direto com o proprietário, poßo contar com que ele entenda e aproveite um artigo como Beating the Averages do Paul GRAHAM.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho de Informática no Braſil eſtá aquecidíßimo. Eſtou no mercado há duas ſemanas, e tenho tido uma entreviſta por dia, ou duas, chegando a ter de adiar algumas por falta de eſpaço na agenda. Só uma era realmente fora de perfil, e ſó uma outra já teve o proceßo encerrado deſfavoravelmente. Talvez amanhã ſeja o primeiro dia ſem entreviſta.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

De novo no mercado…

Estou em buſca de trabalho. E eſtou baſtante flexível: interior, São Paulo, Exterior… na verdade, deſta vez ainda mais flexível, porque estou diſpoſto a trabalhar também como peßoa jurídica, experimentar outras funções. Já baſtante gente me tem dito que devia trabalhar em coordenação de equipes, ou ensinando… é claro que prefiro continuar com Adminiſtração de Dados, e se puder ser com ſiſtemas livres melhor ainda, mas nada (¿ou quaſe nada?) ſerá impeditivo.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Perdemos…

Para todos amigos & parentes que nos vinham acompanhando, temos de dar a notícia de que perdemos a gravidez, após nove ſemanas.

Aparentemente houve alguma má-formação bem no começo da gravidez, & o fœto não chegou a ter vida. Também não houve a expulsão espontânea, & por ißo a Débora teve de ſe ſubmeter a uma curetagem.

Eſtamos bem, embora tenhamos ficado triſtes — principalmente a Débora, é claro. E além da triſteza da perda, ela ainda passou pela montanha-rußa hormonal de que ſó as mulheres conſeguem fazer idéia.

Agora preciſamos nos mudar, começar a preparar para tentar de novo…

terça-feira, 18 de abril de 2006

Tentando corrigir um livro

Eſtou tentando já há meſes corrigir o (em outros aſpectos excelente) Oracle Essentials, 3ª edição, da O’Reilly:

Dr. Edgar F Codd first described the relational database concept in an IBM Research Report named Derivability, Redundancy, and Consistency of Relations Stored in Large Data Banks. His 1970 paper was published in Communications of the ACM, and was called A Relational Model of Data for Large Shared Data Banks. The inexistent System R4 Relational name seems to be a mishearing of IBM’s System R subproject of the Future System project, which was thus named in 1974: probably an author overheard someone mentioning it as something like the IBM System R, (where R stands) for Relational. Also, Oracle was not the first relational database. It was the first SQL DBMS: it is neither a database, but a DBMS, nor relational, but based on SQL, which is not relational. Actually the first relational DBMS seems to have been the original University Ingres, before it became the current PostgreSQL.
O texto original, errôneo, que tem ſido amplamente copiado e divulgado na Teia (ſegundo o Google), aparentemente porque eſtá diſponível como uma amoſtra copiável em Adobe PDF:

The Evolution of the Relational Database

The relational database concept was described first by Dr. Edgar F. Codd in an IBM research publication entitled “System R4 Relational” appearing in 1970. Initially, it was unclear whether any system based on this concept could achieve commercial success. Nevertheless, Relational Software, Incorporated (RSI) began in 1977 and released Oracle V.2 as the world’s first relational database within a couple of years. By 1985, Oracle could claim more than 1,000 relational database customer sites. By comparison, IBM would not embrace relational technology in a commercial product until the Query Management Facility in 1983.

Hoje deve ſer a terceira vez que envio o comentário acima à editora, através de ſua página de comentários. E até agora, ſe recuſaram a publicar, ſeja o meu comentário ſeja uma verſão ſanitizada dele. Se alguém tiver uma maneira mais política de dizer ißo, ou meſmo parte dißo, por favor, comente… e aguarde a publicação de seus comentários na página de errata ou, pelo menos, na de relatos ainda não confirmados. O meu comentário tem ſido ignorado.

Atualização: Há outros erros no mesmo parágrafo, também enviados à O’Reilly:

The first IBM commercial SQL product was actually 1982’s SQL/DS for DOS/VSE, announced in 1981. 1983 saw also the launch of DB2.

E:

Actually the first IBM relational product was BS12.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Reformados: Bezianos, Calviniſtas e Arminianos

A terceira menſagem intereßante do Bachega em alguns dias, e que me levou a publicar eſtas mal-traçadas. Sobre o Auguſtus Nicodemos Lopes, O Que Aconteceu com os Evangélicos?:

Bom artigo… ſó alguns comentários:

…Há opiniões divergentes sobre quando o moderno evangelicalismo nasceu. Aqui, adoto a opinião de que ele nasceu, como movimento, nas décadas de ’50 e ’60 nos Estados Unidos. Era uma ala dentro do movimento fundamentalista que desejava preservar os pontos básicos da fé (veja meu post sobre Fundamentalismo), mas que não compartilhava do espírito separatista e exclusivista da primeira geração de fundamentalistas. A princípio chamado de ‘neo-fundamentalismo’, o evangelicalismo entendia que deveria procurar uma interação maior com questões sociais e, acima de tudo, obter respeitabilidade acadêmica mediante o diálogo com a ciência e com outras linhas dentro da cristandade, sem abrir mão dos ‘fundamentos’.

Conheço ißo por neoevangelicaliſmo, por contrapoſição aos fundamentaliſtas e pré-fundamentaliſtas; talvez porque eu inclua fundamentaliſtas entre os evangélicos, como o Schæffer.

…queriam se livrar da pecha de intransigentes, fechados, bitolados e obscurantistas, ao mesmo tempo em que mantinham doutrinas como a inerrância das Escrituras, a crença em milagres, a morte vicária de Cristo, sua divindade e sua ressurreição de entre os mortos. Eram, por assim dizer, fundamentalistas esclarecidos, que queriam ser reconhecidos academicamente, acima de tudo.

Acho que a coiſa é muito mais ampla que a Academia, embora ela de fato ſeja influente através dos ſeminários. Os neoevangélicos, talvez inſeguros do amor de Deus, querem ſer aceitos pelo mundo, acadêmico ou não; também no clube, no trabalho, na eſcola, na vizinhança.

1. O diálogo com católicos, liberais, pentecostais e outras linhas sem que os pressupostos doutrinários tivessem sido traçados com clareza. Acredito que podemos dialogar e aprender com quem não é reformado.

A dificuldade do termo reformado, que a rigor inclui todos os proteſtantes ortodoxos, e na acepção reſtrita não engloba todos os evangélicos ortodoxos. Por ißo eu prefiro calviniſta, embora de tom mais ſectário.

4. O abandono da confessionalidade, dos grandes credos e confissões do passado, que moldaram a fé histórica da Igreja com sua interpretação das Escrituras.

Na verdade muitos batiſtas já não eram confeßionais, ißo é anterior ao fundamentaliſmo. Eu conſidero que o problema foi a congregacionalização de caráter quaſe-batiſta dos evangélicos, ſem que abſorveße a atitude bereana batiſta.

Não basta dizer que a Bíblia não tem erros. Arminianos, pelagianos, socinianos, unitários, eteroteólogos, neopentecostais – todos afirmarão isso.

Não concordo com a incluſão dos arminianos entre os hereges, até porque, na raiz hiſtórica, conſidero os arminianos como reformados, calviniſtas moderados, não-bezianos — o arminianiſmo foi feito por calviniſtas que não se conformaram à radicalização beziana, e a conſidero a remonſtração mais calviniſta que Teodoro de Beza. Meſmo o que talvez ſe poßa chamar o neoarminianiſmo de João Weſley ainda é diſtintamente reformado, afirmando por exemplo o pecado original.

Do que ſei do ſínodo de Dort, foi ſectário e radical ao ponto da impiedade. É um fato deſafortunado que muitas vezes quem é expulſo acaba decaindo (remonſtrantes, neoarminianos, velhos católicos, meſmo num prazo mais longo o proteſtantismo dito hiſtórico), mas conſidero que meſmo ißo deve ſer lançado na conta de quem expulſou ſe foi caſo de exceßo de legaliſmo ou apego a fórmulas.

Ao jogar fora séculos de tradição interpretativa e teológica, os evangélicos ficaram vulneráveis a toda nova interpretação, como a teologia relacional, a teologia da prosperidade, a nova perspectiva sobre Paulo, &c.

Que é eſta nova perſpectiva ſobre Paulo? Não sei.

5. A mudança de uma orientação teológica mais agostiniana e reformada para uma orientação mais arminiana. Isso possibilitou a entrada no meio evangélico de teologias como a teologia relacional, que é filhote do arminianismo.

Não acho juſto lançar neo-moderniſmos à conta de Jacó Arminius, aßim como não ſe pode lançar o fataliſmo à de João Calvino.

Permitiu também a invasão da espiritualidade mística centrada na experiência, fruto do reavivalismo pelagiano de Charles Finney.

Não ſeria mais preciſo chamar Finney de ſemi-pelagiano?

Essa mudança também trouxe a depreciação da doutrina em favor do pragmatismo, e também o antropocentrismo no culto, na igreja e na missão, tudo isso produto da visão arminiana da centralidade do homem.

Ißo não eſtá nem em Weſley nem em Arminius. Por outro lado, há também perigos do calviniſmo? Perigos há por toda parte…

Não há saída fácil para essa crise. Contudo, vejo a fé reformada como uma alternativa possível e viável para a igreja evangélica brasileira

Preciſamos deßa alternativa? Ou em outras palavras, é viável reſgatar eßas igrejas, ou é melhor deixar as coiſas antigas para trás?

Penſando bem, acho que tinha de publicar eßes comentários no meu blog…

(Que é o que agora faço.)

Violência doméſtica versus converſão

Mais uma vinda pelo Bachega, deſta vez do Jornal da Tarde de 8 de março de 2006, Agredidas em nome de Deus. Talvez o título ſeja injuſto, mas de bate-pronto meu comentário foi:

Uma peſquiſa (feita por romaniſtas) nos EUAN apontou a tendência dos evangélicos convertidos ſerem melhores maridos que os ſeculares, enquanto os evangélicos por tradição e herança serem piores. Creio que no Braſil eßa ſituação ſeja ainda complicada pelo legaliſmo, como aponta eße artigo meſmo.

Robinſon Cavalcanti: pós-moderno anti-moderno

O amigo Leandro Bachega mandou o eſboço da paleſtra A Igreja e os deſafios da pós-modernidade, do Robinſon Cavalcanti.

Aqui vão meus comentários:

Bom texto… ſó algumas notas:

4. …Secularismo, como desvalor das instituições e das experiências religiosas, radicalmente privada e sem mensagem ética social (necessidade do Capitalismo).

O Capitaliſmo é ſó um modo de produção, não ſe opondo à ética nem criando uma própria; mas é condicionado por ſeu ambiente. Assim, aparece numa Europa já em ſecularização, haja viſto o latitudinarismo inglês por exemplo.

O que incomoda no Robinson é ſua neceßidade de colocar em tudo a opoſição Socialiſmo–Capitaliſmo. É uma viúva do Socialiſmo, aparentemente.

5. Ocidente: o equívoco da resposta da Teologia Liberal (ou Modernista), uma hermenêutica de desmitificação, e a tentativa de ‘adequar’ a mensagem religiosa à mentalidade do homem moderno, esvaziando-a e tornando-a irrelevante, reforçando o Secularismo e levando ao abandono das Igrejas. Realidade particular do Protestantismo no Primeiro Mundo.

Na verdade ißo ocorreu também, em menor grau, no Romaniſmo. O biſpo de Roma hoje é a peßoa mais reſpeitada, mas menos obedecida da Europa — é a brincadeira que por lá corre.

A Pós-Modernidade vem junto com o fenômeno da Globalização Assimétrica, uma Ordem Internacional Imperial, O peso da ‘idéia única’ liberal-capitalista e o ‘Fim da História’ (Fukuyama).

Aí já se cai no partidariſmo. Chamar os EUA de imperiais é um bocado de exagero. Eles ſe comportam ſim como gendarmerie do mundo, mas incluſive a pedidos, por uma neceßidade que ſeria reſponſabilidade européia em ſuas antigas áreas de influência — às quais a Europa envia dinheiro que serve para ſuſtentar déſpotas nem um pouco eſclarecidos, e alivia criſes humanitárias, mas de nada serve para tranſformar culturas e evoluir economias; e às quais a Europa é incapaz de garantir ſegurança. Por exemplo, a ſituação iraquiana ſeria reſponſabilidade anglo-turco-rußa, mas eßas ‘potências’ não tinham a capacidade.

Quanto à globalização aßimétrica, é a conſeqüência natural do refluxo cultural europeu que concedeu independência às ex-colônias deſpreparadas para ißo. Um fato ſem ſolução a curto prazo, já que ſó uma re-evangelização reformada (não neceßariamente beziana) poderia fazer diferença.

11. …Os Espaços Não-Cristãos Ocidentais (Ortodoxia Oriental, Islã, p.ex.)

Deve ter ſido apenas engano chamar os orientais de não-criſtãos, ou talvez ele tenha querido dizer ‘fora da combinação criſtã-ocidental’.

13. O que temos que reconhecer, diante do novo quadro:

a. …o equívoco da nova Constituição da União Européia;

Equívoco ou reconhecimento de uma triſte realidade? Ou o equívoco não ſeria anterior, de querer juntar o que Deus ſeparou? Aliás por eſte critério, o Braſil e os EUA, meſmo a França, a Alemanha, o Reino Unido, a Eſpanha e a Suíça já ſeriam erros, no mínimo.

b. …ausência de projetos históricos alternativos, violência geopolítica (vítimas de várias formas de neo-colonialismo)

É difícil ter projetos hiſtóricos alternativos quando não ſe reconhecem ſequer as realidades econômicas. Ainda não vi nenhum realiſta, e duvido que seja poßível. Só o que antevejo é reconhecerem-se as duras realidades preſentes, trabalhando para modificá-las pela combinação de Evangelho (preponderante) e Ciência (ſubordinada).

E a vitimização dos ex-coloniais é baſtante ridícula do ponto de viſta hiſtórico. Quem tem matado o afro-aſiático-latinoamericano já há cinqüenta anos é o próprio afro-aſiático-latinoamericano mais rico e poderoſo, como ſempre foi até as Grandes Descobertas. E mesmo neße interregno, quem eſcravizava o africano era o africano. Muitos dos preſos de Guantánamo o foram por iraquianos reſpondendo a ofertas de recompenſa por captura de terroriſtas?

14. O equívoco de se vincular, necessária e genericamente, o terrorismo com o fanatismo ('fundamentalismo') religioso, ou com qualquer expressão religiosa em particular. A complexidade e a diversidade do fenômeno.

Não há engano nenhum aí, o terroriſmo do ſéculo XXI é baſicamente muçulmano, principalmente com a vitória recente ou próxima sobre IRA, ETA e grupos ſimilares.

O papel da tecnologia de comunicação: mídia, internet, telefonia móvel.

Ludiſmo? Difícil ſaber. O que os meios de comunicação têm a ver com o conteúdo da comunicação? Não ſe eſtá a discutir meios quentes vs frios (cinema vs televiſão, por exemplo).

A menos que ſe fale da maßificação da ſociedade de consumo e conſeqüente reação por parte dos excluídos dela.

Tese: O Fanatismo Religioso como 'Bode Expiatório' para uma Globalização Assimétrica, para as questões sociais irresolvidas (e onde não há vontade política de se resolver)

Vontade política? Que tal condições políticas objetivas? Lula prova que vontade não baſta… ou alguém duvida que ele, e o PT, têm vontade de fazer a Reforma Agrária, a diſtribuição de renda, eliminar a miſéria etc?

19. As igrejas evangélicas estão fragilizadas pelo excessivo divisionismo denominacional, fruto da própria fragmentação e desprezo à autoridade da Pós-Modernidade, e da falta de estudo e valorização de uma Eclesiologia Bíblica e Histórica.

Por outro lado, o denominacionaliſmo tende a validar os deſvios doutrinários e práticos hiſtóricos. Por ißo ſou localiſta.

É triſte que o Robinſon meſmo não reſiſta a modas, como a ordenação feminina, curſos Alfa etc.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Mais um!

Teremos mais um filho, um irmãozinho (¿a?) para o Felipe.

Já vem tarde, mas não pudemos ‘encomendá-lo’ antes.

Agora temos de providenciar caſa, e todo o resto…

Deus proverá.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Amigos

Escreveram amigos da Suíça… e uma prima de Braſília. Muita gente a eſcrever, e mal damos conta. É uma pena.

Provas

Feitas as primeiras provas para a pós-graduação, ſábado e domingo. Seis horas em dois períodos num dia, cinco horas seguidas no outro. Meio inſano fazer provas no domingo, como se não tivéßemos mais o que fazer; talvez ſeja parte do objetivo, dar preferência a quem já tenha berço e condições de investirem tempo além do normal proletário.

Algumas questões pareciam muito detalhiſtas para uma prova de pré-ſeleção, outras pareciam queſtões de opinião ou meſmo pegadinhas. Havia tempo em exceßo na pré-ſeleção ‘objetiva’, e de menos na dißertativa. Mas o pior é que comecei a eſtudar muito tarde, preocupado com trabalho e encerrar projetos da época do deſemprego, que demoraram demais a pagar e, em alguns caſos, pagaram bem menos que o acordado e eſperado; que paßei mal uma semana direto antes das provas ſem conseguir licença do trabalho; e que contei mal o número de palavras da última queſtão, equivalente a 20% da segunda faſe.

Só Deus ſabe.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Jabber e GTalk

Uso o Jabber, que é cada vez mais útil dada sua adoção pelo Google Talk — mas ainda não consegui um cliente Web que funcione no MS IE 6 sobre MS WXP através do Squid. O que chega mais perto é o JWChat, mas não chega a me permitir dizer que estou em linha, adicionar amigos ou configurar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Preocupado com um colega

Um colega eſtá para se divorciar. É de igreja, está afaſtado, e não me parece que ſe ſinta na obrigação de andar a ſegunda milha com sua esposa, nem de voltar para Deus. Acho ißo profundamente perturbador, porque é como se ele não foße convertido, não conheceße a graça de Deus.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Um dia de dúvidas

Almoço hoje com uma família da igreja. Querem ajuda, crêem que a igreja está fraca e que eu pudeße ajudar a dividir a carga do conselho. O problema é que meus planos incluem uma pós-graduação, poßivelmente fora de Sampa, o que me excluiria qualquer participação ativa lá. Para ficar, meu trabalho tinha de ſer mais intereßante, recompenſador e regular. Só milagre.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Tentando algo

Tentando começar a eſcrever… mais por cauſa duma viroſe que por neceßidade. E brincando com tipografia, ſe deu para perceber. Deveria haver um ſiſtema em que pudéßemos eſcrever normalmente, e reſultaße o texto com todas as ligaturas que ſe quiſeße. Deve dar para fazer algo em ſed.

Intereßante como as peßoas ſomem. Eſcrevemos, telefonamos — mas poucos reſpondem. Muitos até nos procuram uma vez ſó, e nunca mais reſpondem. Poucos os amigos que reſtam, quando não ſe tem mais tempo (ou diſciplina) para buſcar um a um ſiſtematicamente.

¿É aßim também que agimos para com Deus, que nos buſca? Sim.